Um peixe de mesa pouco falado pode estar prestes a mudar isso.
Enquanto salmão, atum e bacalhau dominam as escolhas, há uma espécie que costuma ficar discreta nas prateleiras dos supermercados e nas bancas de peixe - mas que, do ponto de vista nutricional, merece lugar de destaque. Para quem procura um peixe magro, com baixa carga de mercúrio e sabor suave, o eglefino (haddock) é um candidato surpreendentemente forte para entrar com regularidade no menu.
Porque é que o eglefino é especialmente interessante para quem se preocupa com a saúde
Tal como o bacalhau, o eglefino pertence à família dos gadídeos, mas apresenta características próprias. Destaca-se por fornecer muita proteína de elevada qualidade com uma quantidade de gordura muito reduzida - uma combinação conveniente para quem quer manter ou baixar o peso sem abdicar do prazer à mesa.
"O eglefino tem muitas vezes menos de 1 grama de gordura por 100 gramas - é mais magro do que várias carnes consideradas ‘leves’."
Principais vantagens, de forma rápida:
- Proteína muito magra: fácil de digerir, sacia por mais tempo e ajuda no ganho de massa muscular e na recuperação.
- Gordura muito baixa: adequado para dietas com menos calorias e para digestões mais sensíveis.
- Rico em vitaminas do complexo B: sobretudo vitamina B12 e niacina (B3), importantes para o sistema nervoso, produção de energia e formação do sangue.
- Elevado teor de selénio: contribui para o sistema imunitário e apoia a tiróide.
- Boa fonte de fósforo: relevante para ossos e dentes.
O selénio, em particular, tende a ser escasso na rotina alimentar porque muitas pessoas consomem poucas nozes, vísceras ou produtos do mar. Um filete de eglefino pode, por isso, dar um contributo perceptível.
Menos mercúrio: comer peixe sem preocupação constante
Para muita gente, o maior entrave ao comprar peixe é o receio do mercúrio e de outros metais pesados. É precisamente aqui que o eglefino brilha.
"Segundo organismos internacionais, o eglefino está entre as espécies com níveis particularmente baixos de mercúrio - e é considerado uma ‘melhor escolha’ para consumo frequente."
Há várias razões para isso:
- Vida relativamente curta: como não vive décadas, a acumulação de metais pesados tende a ser limitada.
- Alimentação: alimenta-se sobretudo de pequenos organismos do fundo do mar, como vermes e crustáceos, e não de outros peixes grandes.
- Não está no topo da cadeia alimentar: ao contrário do atum ou do peixe-espada, não é um grande predador.
Para grupos mais sensíveis - como crianças, grávidas e mulheres a amamentar - este é um argumento de peso. Enquanto grandes predadores devem aparecer na mesa com mais moderação, o eglefino pode ser planeado com maior frequência, sempre com a higiene habitual na cozinha e em quantidades sensatas.
Coração e vasos beneficiam - mesmo com menos ómega‑3 do que o salmão
Peixes mais gordos, como salmão ou cavala, são conhecidos por fornecerem muito ómega‑3. Embora o eglefino seja um peixe magro, ainda assim oferece quantidades relevantes destes ácidos gordos polinsaturados.
Os ómega‑3 podem:
- ajudar a melhorar o perfil de lípidos no sangue,
- reduzir triglicéridos,
- atenuar processos inflamatórios no organismo,
- diminuir o risco de doença cardiovascular.
O ponto essencial é este: quando se troca com mais frequência carne vermelha (e as suas gorduras saturadas) por peixes magros como o eglefino, o efeito é duplamente positivo para o colesterol e para a saúde vascular - menos gorduras “menos favoráveis” e, em contrapartida, proteína valiosa, selénio e algum ómega‑3.
Sabor: suave, branco, quase nada “a peixe”
Muitas pessoas dizem gostar de peixe, mas não apreciam o cheiro intenso de algumas espécies. Na prática, o eglefino costuma ser uma escolha mais fácil.
"A carne do eglefino é branco-neve, macia e ligeiramente adocicada - muitas vezes bem aceite até por quem ‘não gosta de peixe’."
Características comuns na cozinha:
- Aroma suave: sem uma “nuvem” de cheiro a peixe pela casa.
- Fibra fina: os filetes são mais delicados e, muitas vezes, um pouco mais finos do que os de bacalhau.
- Muito versátil: pode ser escalfado, cozinhado a vapor, no forno, em polme ou como elemento em sopas e guisados.
Para crianças, pessoas mais velhas ou para quem está a começar a incluir peixe na alimentação, isto é uma vantagem clara. O perfil neutro combina facilmente com ervas aromáticas, limão e legumes, sem que um sabor se imponha demasiado.
Eglefino ou bacalhau - qual é mais saudável?
É frequente a dúvida: sendo ambos da mesma família, faz sentido optar pelo eglefino? Um confronto directo mostra que são bastante próximos.
| Característica | Eglefino | Bacalhau (Atlântico) |
|---|---|---|
| Calorias (por 100 g) | cerca de 75–85 kcal | intervalo semelhante |
| Teor de gordura | muito baixo, muitas vezes abaixo de 1 g | baixo, por vezes ligeiramente mais alto |
| Selénio | tendencialmente um pouco mais elevado | elevado, mas inferior ao do eglefino |
| Potássio | muitas vezes ligeiramente mais alto | bom, mas um pouco abaixo |
| Estrutura da carne | mais fina, filetes mais pequenos | mais grossa, pedaços maiores |
Em termos de nutrição, são muito parecidos e podem ser trocados sem problema. O eglefino tende a ganhar por uma margem pequena: um pouco mais de selénio e potássio, frequentemente menos gordura e um sabor ainda mais suave. Quem gosta de bacalhau tem grande probabilidade de também se dar bem com eglefino.
O que considerar na compra - a questão da sustentabilidade
Ao comprar peixe, já não é só o preço que conta: a origem e o método de captura pesam cada vez mais. O eglefino é, em geral, proveniente do Atlântico Norte, por exemplo de zonas próximas da Islândia, Noruega ou Reino Unido.
Regras práticas úteis:
- Procurar selos: certificações como a MSC apontam para práticas de pesca mais sustentáveis.
- Confirmar a origem: quanto mais clara for a rotulagem, mais informada será a decisão.
- Não desvalorizar o congelado: eglefino ultracongelado pode ter qualidade comparável ao pescado vendido como fresco.
Se houver dúvidas, vale a pena perguntar na banca. Um vendedor de confiança indica sem rodeios a zona de captura e como o peixe foi processado.
Como preparar eglefino de forma prática no dia a dia
Este peixe adapta-se ao quotidiano melhor do que muita gente imagina. Por ser suave, pode ser tratado quase como peito de frango - com a diferença de que precisa de menos tempo de cozedura.
Ideias rápidas para a cozinha
- Filetes no forno: regar o eglefino com um pouco de azeite, limão, sal, pimenta e ervas; levar ao forno a 180 graus por pouco tempo.
- Frigideira com legumes: saltear pedaços com legumes e, depois, deglacear com um pouco de caldo ou leite de coco.
- Sopa de peixe: como componente suave em caldos leves ou em guisados cremosos.
- Peixe “para crianças”: panado ou em polme, feito no forno em vez de frito.
Nota importante: o eglefino cozinha depressa. Se ficar demasiado tempo no forno ou na frigideira, seca facilmente. Mais vale retirar mais cedo e confirmar se está mesmo no ponto.
Com que frequência o eglefino pode ir à mesa?
Muitas recomendações alimentares sugerem peixe uma a duas vezes por semana, incluindo idealmente espécies mais gordas. O eglefino funciona como uma opção habitual com baixo mercúrio e combina bem numa rotação com salmão, arenque ou cavala.
Quem ainda come pouco peixe pode começar com um prato por semana e aumentar gradualmente. Como tem pouca gordura, o impacto calórico mantém-se controlado, mesmo quando a porção é um pouco maior.
Contexto relevante sobre mercúrio e nutrientes
O mercúrio chega sobretudo às águas através de emissões industriais e vai-se acumulando ao longo da cadeia alimentar. Por isso, grandes predadores no topo dessa cadeia apresentam, em regra, valores mais elevados. O eglefino posiciona-se mais abaixo - e é uma das razões pelas quais os seus níveis de metais pesados tendem a ser comparativamente reduzidos.
O selénio acrescenta ainda um aspecto interessante: embora não “expulse” directamente o mercúrio, este oligoelemento apoia processos de desintoxicação e sistemas antioxidantes de protecção. Visto assim, um peixe que junta pouco mercúrio a bastante selénio torna-se duplamente apelativo.
Numa perspectiva prática: ao comer eglefino uma a duas vezes por semana, muitas pessoas acabam por substituir salsicharia mais gorda, panados tipo schnitzel ou produtos ultraprocessados. Com isso, baixa-se a ingestão de sal, gorduras saturadas e aditivos, ao mesmo tempo que aumenta a de proteína natural, vitaminas e minerais. Em várias análises alimentares, é precisamente esta substituição que produz o maior impacto na saúde.
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